sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Colocação pronominal: faltaram hífen e acento

Para melhor atendê-los, essa é a forma correta de escrever: atender + os. Tira-se a desinência "r" do infinitivo, o verbo passa a ser uma palavra oxítona terminada em "e", daí o acento; o pronome pessoal do caso oblíquo "os" ganha uma consoante para melhorar a pronúncia: "Estamos em obras para melhor atendê-los".

Tal frase está inscrita no tapume das obras de ampliação do posto e restaurante Pratão, BR-153, município Prata-MG.

Para ficar mais comunicativa, o interlocutor podia ser tratado no singular por meio de um por pronome de tratamento popular: Estamos em obras para melhor atender você. 
Rodovia BR-153, município Prata-MG
Sempre, quando visito Catalão-GO, passo por ele, almoço, abasteço e sigo viagem. Muito grande, amplas instalações, bom atendimento, ótima comida, mas o português foi sacrificado na última reforma - passei por lá em 02/11/2016.


quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Meia-sola

Hélio Consolaro*

As palavras aparecem, desaparecem, mudam de sentido. Assim aconteceu com a palavra composta “meia-sola”. Eu estava cruzando as palavras numa grade de jornal, quando me pediram a seguinte palavra: “conserto improvisado ou precário”. Era a tal de “meia-sola”, com hífen.

Por que usar o famoso tracinho? Porque é criada uma nova palavra, juntando duas, ganhando um terceiro sentido, como o figurado de conserto improvisado ou precário.


Nesse sentido, a palavra “meia-sola” continua sendo usada, mas no comum, de remendo que substitui a parte anterior da sola de um calçado (procedimento de pobres, época dos sapatos de couro) não é conhecido das novas gerações, pois atualmente as solas são sintéticas e há predomínio do uso de tênis, não se faz mais remendo em sapatos, aliás, raras são as sapatarias de consertos.

Atualmente o nome “meia sola”, sem hífen, é a meia com sola ou nome de loja. Um jovem até emprega “meia-sola” no sentido figurado de conserto improvisado, mas se lhe perguntar o sentido real, comum, de remendo na sola do sapato, nem imagina como era.


Assim caminham a humanidade e também as palavras.

*Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Membro da Academia Araçatubense de Letras.

Mississipi, Missisipi: crônica de um erro

Hélio Consolaro*

Segundo Monteiro Lobato, que escrevia muito para jornais, erros são como sacis, depois de muitas revisões, ele aparece no outro dia nas folhas impressas do jornal, mostrando a língua, rindo da gente.

Isso aconteceu recentemente. O Sesc Birigui-Araçatuba estava promovendo uma série de shows com a vinheta “Mississipi & Tietê”, o encontro dos rios pelo blues e pela moda de viola. Tudo feito com muito esmero.

No primeiro show, eis o painel no palco, o prospecto dos espetáculos nas mãos dos espectadores, mas “Missisipi” (com três esses). A regra diz que não há dois esses e cedilha na mesma palavra e que a letra esse entre vogais tem o som de zê, nas Mississipi é uma palavra inglesa. E eu não atingi a excelência do saber, sou monolíngue.

Olhei aquilo, fiquei incomodado. Não ia sair do espetáculo para consultar o Google em meu celular. Noutro dia, constatei o erro.

Assim fui estragar a alegria de um produtor cultural, Wanner Mussato Rodrigues, por meio do “Messenger”. O cara queria bater a cabeça na parede, por que fui fazer isso com ele, que eu havia perdido todos os votos da família nas próximas eleições. Até que entramos no clima de gozação. O sujeito erra, eu sou o culpado porque descobri o erro.

No espetáculo da semana seguinte, tudo refeito. O erro caiu nas costas do arte-finalista e o prejuízo ficou com a empresa de comunicação.

Para evitar isso, recomenda-se que se faça a revisão de um texto no outro dia, deixando-o dormir no computador (antigamente, na gaveta). Com certeza, vai descobrir erros não vistos no dia anterior depois do distanciamento. Sem isso, os olhos não enxergam o erro, há cooptação.

Se estiver com pressa, leia o texto em voz alta para si mesmo ou peça para alguém fazer a revisão. Esse alguém não precisa ser exímio conhecedor da língua, ele emprestará apenas os olhos dele, estranhos ao texto, para detectar alguns erros, inclusive os de digitação.


Com esses conselhos, com certeza, errará menos.

*Hélio Consolaro é professor, jornalista, escritor. Membro da Academia Araçatubense de Letras

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Por que Paralimpíada?


Muitas pessoas ficam em dúvida quanto ao termo Paralimpíada. Ou seria Paraolimpíada? O correto é Paralimpíada. A mudança no nome ocorreu em 2011, a pedido do Comitê Paralímpico Internacional.

Retirando a letra "o", que foi usada até a penúltima edição dos Jogos, em 2008, a entidade teve a intenção de uniformizar o nome para todos os países de língua portuguesa. Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste já usavam o termo Paralimpíada, de modo a motivar a troca também no Brasil.

De acordo com o Comitê, desde a sua fundação o termo é "Paralimpíada", que vem do inglês "Paralympics". Por questões linguísticas, o Brasil optava por "Paraolimpíada".


No entanto, a retirada do "o" vai contra as regras da ortografia do idioma. Isso porque, na junção de duas palavras, é incomum a retirada da primeira letra do segundo termo. Submetemos mais uma vez o português ao inglês.