segunda-feira, 7 de maio de 2012

Antonio ou Antônio?


Hélio Consolaro*

Santo Antônio
A reunião estava bem produtiva, eu projetava eslides na parede, explicava sobre a literatura caipira, quando uma pessoa me chamou do lado e me disse:

- Antônio Cândido se escreve com acento, o Antônio dele é sem acento.

Em voz baixa, agradeci, pois não haveria de deixar o assunto para enveredar-me numa polêmica paralela.

Na verdade, ambos estavam certos: eu, em pôr acento circunflexo em “Antônio Cândido” e ele, em me corrigir.

Há gente que segue religiosamente a grafia da certidão de nascimento da pessoa, com erro, inclusive, porque escrever “Antonio” sem acento é não seguir nosso sistema ortográfico.

A pessoa que estava vendo em meus eslides “Antônio Cândido” com acento faz parte dessa corrente, porque é formado em Letras, não é ignorante no assunto, conhece como os conhecimentos linguísticos se constroem. Apenas estava querendo impor a sua verdade.

O jornalismo impresso respeita a ortografia da certidão de nascimento da personalidade noticiada enquanto ela viver. Rachel de Queiroz teve seu nome escrito assim  pelos jornais até falecer, depois de sua morte, passaram a registrar Raquel de Queirós conforme o atual sistema ortográfico.

Eu pertenço a uma corrente que faz a correção ou adaptação ortográfica em qualquer situação. Apenas em documentos oficiais que a ortografia do registro de nascimento deve ser respeitada, daí eu ter escrito “Antônio Cândido” com acento, embora o registro de nascimento do ilustre crítico literário e ex-professor da USP registre Antonio sem acento.

Na minha visão, Antônio deve aparecer sempre acentuado, independente da certidão de nascimento.  

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